Reservado, Reserva, Gran Reserva: qual a diferença?

  • Saiba mais sobre os termos estampados nos rótulos dos vinhos e que provocam dúvidas entre os consumidores.
  • Veja na seção Entre Taninos que o 8º Encontro Enoconexão será em Louveira e confira um lembrete sobre o Foire Aux Vins 2025 em Campinas.

Por Lalá Ruiz*

Você, com certeza, já se perguntou o que significam os termos Reservado, Reserva e Gran Reserva estampados nos rótulos dos vinhos. Se sua dúvida é se eles têm ligação direta com a qualidade da bebida, sim, é isso mesmo. Essa classificação, contudo, não é obrigatória, porém, sua utilização tem de obedecer a critérios específicos, a depender do país ou região produtora.

Tudo começou na Espanha, onde o termo Reserva foi criado para denominar os vinhos de mais qualidade, com envelhecimento em barris de carvalho e em garrafas. Em regiões como La Rioja, Ribera del Duero e Jumilla, por exemplo, para ser considerado como Reserva o vinho deve envelhecer por, no mínimo, 36 meses, sendo que, nesse período, a bebida deve ficar pelo menos 12 meses em barrica e seis meses em garrafa.

Além disso, há a questão do teor alcoólico. Na Rioja, famosa pela produção de Tempranillo, essa graduação varia de 11%, para vinhos brancos e rosés, a 12%, para tintos.

Cava Reserva: 15 meses sobre as borras (Foto: Nino Donkervoort | Pixabay)

Quando o assunto são os espumantes, a DO Cava, a mais famosa Denominação de Origem do país, determina que, para ser considerado um Cava Reserva, o vinho deve ficar 15 meses sobre as borras.

No Brasil, a título de comparação, um vinho Reserva é aquele que possui no mínimo 11% de álcool e 12 meses de amadurecimento para tintos e seis para brancos e rosés, sendo o uso da madeira opcional. Detalhe: apenas vinhos finos podem ser considerados como tal – por aqui, como é sabido, a produção é dominada pelos vinhos de mesa ou coloniais.

Gran Reserva

Se o Reserva é considerado o vinho de mais qualidade, o Gran Reserva é o “top das galáxias” da vinícola, em cuja produção são utilizadas as melhores frutas. O processo de envelhecimento também leva mais tempo. São vinhos considerados complexos e presentes nas mesas dedicadas à alta gastronomia.

E assim como ocorre com o Reserva, o período de envelhecimento varia de acordo com a regulamentação de cada país ou região produtora. Na Espanha, só pra ficar no exemplo anterior, um Gran Reserva deve envelhecer por pelo menos cinco anos, sendo dois deles em barril de madeira.

Reservado

Quanto ao Reservado, trata-se de uma nomenclatura que pode ser utilizada em qualquer rótulo produzido na vinícola, ou seja, não existem critérios a serem seguidos. Porém, é um termo mais usado por produtores do Novo Mundo, em especial da Argentina, Chile, Uruguai e Brasil, para classificar vinhos jovens indicados para consumo imediato, ou seja, que não passam por processo de envelhecimento, sendo engarrafados (e vendidos) logo após a produção.

São vinhos ruins? Não necessariamente, mas, é bom observar o potencial de guarda de cada rótulo para não deixar o vinho “virar vinagre”, como dizem por aí.

ENTRE TANINOS

Vem aí o 8º Encontro Enoconexão, desta vez, em Louveira

O 8º Encontro Enoconexão será realizado entre os dias 14 e 16 de outubro, em Louveira (SP), com a participação de produtores e especialistas para falar sobre a qualidade e as oportunidades na produção de uvas e vinhos e enoturismo. O evento é gratuito e as inscrições já estão abertas.

“Nosso objetivo é trazer informações e debates sobre temas atuais e sensíveis no setor de uva e vinho”, destaca Rafael Vicchini, sócio-diretor da Enoconexão, empresa que atua no segmento vitivinícola de São Paulo e uma das responsáveis pela organização do evento.

Além dos produtores rurais, o público do evento é formado pelos principais players do mercado, tais como proprietários de vinícolas, entusiastas, fornecedores, pesquisadores e representantes setoriais. Para essa edição são esperados mais de 500 participantes de diversas regiões do país.

Edição passada do Enoconexão: programação variada (Foto: Divulgação)

A programação começa no dia 14, com a abertura oficial que contará com a presença de autoridades locais, especialistas e alguns convidados. Já nos dias 15 e 16, o evento será aberto ao público com uma grade de palestras e debates sobre enologia, enoturismo e viticultura.

O evento é correalizado pelo Polo Turístico do Circuito das Frutas de São Paulo, formado pelas cidades de Atibaia, Indaiatuba, Itatiba, Itupeva, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Morungaba, Valinhos e Vinhedo, com apoio da Frente Parlamentar de Apoio à Vitivinicultura e ao Desenvolvimento do Enoturismo Paulista da Assembleia Legislativa.

Neste sábado tem Foire Aux Vins em Campinas

No sábado, 11 de outubro, a segunda edição da Foire Aux Vins, evento itinerante promovido pela importadora Chez France que celebra a diversidade e a excelência dos vinhos franceses, chega a Campinas depois de passar por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Recife.

O evento conta com a participação de 24 produtores — muitos deles pela primeira vez no Brasil — para apresentar lançamentos e rótulos consagrados. O público poderá conhecer de perto produtores de regiões icônicas como Bordeaux, Borgonha, Rhône, Champanhe, Córsega, Loire, Languedoc, Provença, Alsácia e Beaujolais, além de vinícolas de Espanha, Portugal e Grécia.

O Foire Aux Vins será no Tênis Clube de Campinas – Sede Cambuí (Rua Coronel Quirino, 1.346), das 16h às 20h. Os ingressos estão à venda no site https://www.sympla.com.br/evento/foire-aux-vins-campinas-2a-edicao/2906472 e custam R$ 150,00 (segundo lote) e R$ 190,00 (terceiro lote), mais 10% de taxa da plataforma.

(*Com informações Assessoria de Imprensa)

HARMONIZA SOM

Meu novo vício musical: Tiny Desk Concerts

Estou simplesmente viciada na série Tiny Desk Concerts, da rádio norte-americana NPR de Washington DC. Criado em 2008, consiste na realização de shows de meia hora, em um pequeno espaço que lembra uma livraria ou um escritório e com plateia restrita, apresentações estas disponibilizadas no YouTube.

Entre artistas consagrados e emergentes, já passaram pelo programa ao longo desses anos nomes como Sting, Bono e The Edge (U2), Peter Frampton, Sherryl Crow, Suzanne Vega, The Cranberries, os brasileiros Seu Jorge (link abaixo) e Liniker, os astros da música colombiana Juanes e Carlos Vives, além do portorriquenho Bad Bunny.

A boa notícia é que o programa ganhará uma versão brasileira. Ainda sem data de estreia, o Tiny Desk Brasil terá shows gravados ao vivo no escritório do Google, em São Paulo, com artistas selecionados e produzidos pela Anonymous Content Brazil e Amabis com a colaboração da NPR Music.

Segundo consta, o Brasil é o segundo país que mais assiste ao projeto no YouTube e será o terceiro a ter uma versão própria, depois de Japão e Coreia do Sul.

Para quem não conhece, segue abaixo o link da NPR Music. É para ser explorado sem moderação, acompanhado de um Reserva, Reservado ou Gran Reserva. Vai depender do seu grau de encantamento.

*Lalá Ruiz é jornalista formada pela PUC-Campinas. Trabalhou no extinto jornal Diário do Povo e no Correio Popular, ambos de Campinas (SP). Gosta de rock, blues, jazz, Clube da Esquina, pop latino, flamenco, literatura, televisão e cinema. É torcedora do Santos F.C. e criadora do IG @oassuntoevinho.

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