Sexta-feira Santa também é dia de celebrar a lenda do Boi Falô, em Barão Geraldo. Entre as tradições da festa, que é realizada desde 1988, está a distribuição gratuita de macarronada. Está prevista programação cultural diversificada, com apresentações musicais e oficinas a partir das 10h, dia 3 de abril, na Praça do Coco. O evento é organizado por moradores do distrito e conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
A lenda do Boi Falô tem várias versões. Moradores de Barão Geraldo, da Comissão Pró-Memória de Barão Geraldo, contam que o episódio ocorreu no Capão do Boi, que era um pequeno bosque na entrada de Barão Geraldo, que foi derrubado para a construção, por volta de 1974, da Avenida Romeu Tórtima, no passado, conhecida como Avenida 1.
Segundo eles, a versão tradicional é que numa sexta-feira da Paixão, um capataz da fazenda Santa Genebra pediu a um caboclo, escravizado ou empregado (cada um fala de um jeito) que fosse buscar uns bois que ficaram deitados no Capão do Boi. O escravizado ou empregado foi até o Capão do Boi (em uma versão era um adolescente que levou o cachorro junto) com uma vara e lá chegando começou a tocar os bois. Com a insistência um dos bois falou “Hoje não é dia de trabalhar! Hoje é dia de Nosso Sinhô Jesus Cristo!”.
O rapaz, assustadíssimo, correu de volta para contar o fato ao capataz que não acreditou. Depois de brigar com ele, foi junto (a cavalo) até o Capão do Boi e mandou o rapaz tocar o boi. Ao ser tocado, o boi novamente disse: Hoje não é dia de trabalhar! Hoje é dia de Nosso Sinhô Jesus Cristo!”. Assustados, o capataz e o rapaz retornaram para a fazenda e o capataz decidiu ir para sua casa onde não saiu mais naquele dia.
Uma outra versão conta com os personagens Toninho e o Barão. A festa foi criada em 1988 para comemorar o centenário da Abolição, já que a lenda do Boi Falô também é popularmente contada na história do escravizado Toninho, forçado a trabalhar numa sexta-feira santa, obedeceu e, chegando ao pasto, o boi olhou para ele e disse: “Toninho, hoje não é dia de trabalhar, hoje é dia de se guardar”.
O escravizado correu para a sede da fazenda gritando: “o boi falô, o boi falô!” e contou o que havia acontecido e, naquele dia, ninguém trabalhou. O capataz, que era homem descrente, virou rezador e Toninho virou pessoa de confiança do Barão Geraldo de Rezende, trabalhando dentro da casa até sua morte, quando foi enterrado ao lado do Barão por seus serviços prestados à família. No dia de Finados, o túmulo de Toninho é um dos mais visitados na cidade.
Serviço
Festa do Boi Falô
Data: 3 de abril, sexta-feira
Horário: a partir das 10h
Local: Praça do Coco no Distrito de Barão Geraldo
Endereço: R. José Martins, 738 – Barão Geraldo, Campinas – SP
Entrada Gratuita



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